12.1.10
Somehow I must find it alone...
She'll be gone soon
You can have me for yourself
She'll be gone soon
You can have me for yourself
But do give
Just give me today
Or you will just scare me away
What we built is bigger
Than the sum of two
What we built is bigger
Than the sum of two
But somewhere
I lost count of my own
And somehow
I must find it alone
24 and blooming like the fields of May
25 and yearning for a ticket out
Dreams burn
But in ashes are gold
Dreams burn
But in ashes are gold
Choose Love
I choose to hide
But I look for you all the time
I choose to run
But I'm begging for you to come
I wanna break
But I know that you can take
I stay a while
To be sure that you're by my side
Oh, oh
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
I choose to find
Things that you left behind
I choose to stare
But I can take you anywhere
I wanna stay
But my soul leaves you anyway
Can close the door
And love, could you give me more
(...)
[já ouvi esta música centenas de vezes, mas nunca tinha ouvido esta letra]
But I look for you all the time
I choose to run
But I'm begging for you to come
I wanna break
But I know that you can take
I stay a while
To be sure that you're by my side
Oh, oh
Don't look at me, just look inside
'Cause I can go through
Tell me, are you goin' tired
Of what I don't do
I wanna see, I wanna fight
'Cause I don't feel scared
Honey, if you care
I choose to find
Things that you left behind
I choose to stare
But I can take you anywhere
I wanna stay
But my soul leaves you anyway
Can close the door
And love, could you give me more
(...)
[já ouvi esta música centenas de vezes, mas nunca tinha ouvido esta letra]
11.1.10
6.1.10
5.1.10
Elogio ao amor, amor puro
"(...)Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso «dá lá um jeitinho» sentimental. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olha, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para levar-nos de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A «vidinha» é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperante. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do «tá bem, tudo bem», tomadores de bica, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso «dá lá um jeitinho» sentimental. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olha, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para levar-nos de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A «vidinha» é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperante. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
© Miguel Esteves Cardoso - Livro "Último volume" 1991
[de mim para Cat. e de Cat. para mim. E de mim para quem sabe ler]
[de mim para Cat. e de Cat. para mim. E de mim para quem sabe ler]
31.12.09
29.12.09
28.12.09
Metamorfose
Lá dentro
muito dentro de ti mesmo
- nem sabes -
há muitos, muitos homens,
tantos,
talvez os homens todos,
num espaço emq eu não cabes,
ao abandono, a esmo,
amarrados, mudos,
como lobos,
ou parados, castos,
como santos,
espreitando os dias
que hão-de vir,
farejando os rastos,
disfarçando enganos,
à espera de subir...
E numa hora certa,
quando o contexto, a sorte,
a ocasião, a dor,
algum deles desperta,
hás-de sentir
rasgar o ódio
ou desenhar o amor,
e verás afinal,
que ser desconhecido,
existe em ti escondido,
atrás do baço, incolor,
homem formal,
adormecido.
[poema escrito numa folha de papel, guardada num livro há 17 anos... confesso que não me lembro da autoria, por mais óbvia que possa ser. Agradeço que me digam se souberem.]
muito dentro de ti mesmo
- nem sabes -
há muitos, muitos homens,
tantos,
talvez os homens todos,
num espaço emq eu não cabes,
ao abandono, a esmo,
amarrados, mudos,
como lobos,
ou parados, castos,
como santos,
espreitando os dias
que hão-de vir,
farejando os rastos,
disfarçando enganos,
à espera de subir...
E numa hora certa,
quando o contexto, a sorte,
a ocasião, a dor,
algum deles desperta,
hás-de sentir
rasgar o ódio
ou desenhar o amor,
e verás afinal,
que ser desconhecido,
existe em ti escondido,
atrás do baço, incolor,
homem formal,
adormecido.
[poema escrito numa folha de papel, guardada num livro há 17 anos... confesso que não me lembro da autoria, por mais óbvia que possa ser. Agradeço que me digam se souberem.]
Como esquecer
(...) As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. (...)
Miguel Esteves Cardoso - Último Volume - 1991
[sabia este livro de cor aos quinze anos. hoje caiu-me nas mãos enquanto o arrumava na nova estante. de novo só mesmo a estante. os anos passaram, o livro a desfazer-se de velho e eu... eu acho que isto nunca me tinha feito tanto sentido como agora.]
Miguel Esteves Cardoso - Último Volume - 1991
[sabia este livro de cor aos quinze anos. hoje caiu-me nas mãos enquanto o arrumava na nova estante. de novo só mesmo a estante. os anos passaram, o livro a desfazer-se de velho e eu... eu acho que isto nunca me tinha feito tanto sentido como agora.]
Curtas
1
Precisava que olhassem para mim com outros olhos.
2
Cá dentro chove mais do que lá fora.
3
Não sei se vou voltar a rir-me para mim.
Precisava que olhassem para mim com outros olhos.
2
Cá dentro chove mais do que lá fora.
3
Não sei se vou voltar a rir-me para mim.
27.12.09
Previsão
A minha previsão é que dentro de um mês ou estou em depressão profunda, ou estou obesa ou estou louca. Em que é que apostam?
23.12.09
22.12.09
13.12.09
11.12.09
10.12.09
A 1000 rotações por minuto
Buy it, use it, break it, fix it,
Trash it, change it, mail - upgrade it,
Charge it, pawn it, zoom it, press it,
Snap it, work it, quick - erase it,
Write it, cut it, paste it, save it,
Load it, check it, quick - rewrite it,
Plug it, play it, burn it, rip it,
Drag and drop it, zip - unzip it,
Lock it, fill it, call it, find it,
View it, code it, jam - unlock it,
Surf it, scroll it, pause it, click it,
Cross it, crack it, switch - update it,
Name it, rate it, tune it, print it,
Scan it, send it, fax - rename it,
Touch it, bring it, Pay it, watch it,
Turn it, leave it, start - format it.
Trash it, change it, mail - upgrade it,
Charge it, pawn it, zoom it, press it,
Snap it, work it, quick - erase it,
Write it, cut it, paste it, save it,
Load it, check it, quick - rewrite it,
Plug it, play it, burn it, rip it,
Drag and drop it, zip - unzip it,
Lock it, fill it, call it, find it,
View it, code it, jam - unlock it,
Surf it, scroll it, pause it, click it,
Cross it, crack it, switch - update it,
Name it, rate it, tune it, print it,
Scan it, send it, fax - rename it,
Touch it, bring it, Pay it, watch it,
Turn it, leave it, start - format it.
8.12.09
7.12.09
4.12.09
Descompassado
Passo.
Passo a vida
a correr.
Passo a passo.
Ao ritmo de
um compasso
que me marca.
O passo.
Vai.
Passo a passo.
Sem temer,
sem saber.
Vai.
Mais um passo.
E passo a passo
cai o pano
e fica o tremor
de um abraço.
Sem espaço.
Cai o pano
e vê-se.
Do outro lado.
O senhor apressado
dos passos
acelerados.
Parado.
Sobe o pano
e cai o palhaço.
Passo.
Dispenso o passado.
Esses passos já
eu conheço.
Passo.
Pluff...
Já não consigo escrever. Nem por que tenho, nem por simples prazer. Já não consigo tirar ideias de dentro da cabeça e transforma-las em frases. A cabeça já não tem frases para dizer. E eu era tão cheia de tudo, e estou cada vez mais cheia de nada. De vazios que ocupam um espaço imenso, cada vez maior. Grande demais para continuar a ignorar. O faz-de-conta que está tudo na mesma, quando não está. Este nada tomou o meu lugar. Ocupou a casa onde eu vivia. Do lado de fora reconheço-me mas já não consigo entrar lá dentro outra vez. Sou um sem-abrigo da minha própria vontade, da minha cabeça. Resisto à resistência, mas uma das duas, em braço-de-ferro acaba por ganhar. E eu não resisto. Fico a vaguear do lado de fora da minha cabeça, a tentar voltar a entrar.
3.12.09
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