17.7.09

As coisas que não se concretizam


Sou uma pessoa de ideias, mas também de acção. Tenho mais do primeiro atributo, mas uma boa dose do outro. Normalmente penso numa coisa antes de a colocar em prática. Mas já nem me vou queixar, já nem refiro que estou cansada, porque nem é isso que sinto. Mas a verdade é que não consigo concretizar merda nenhuma. Sim. Merda nenhuma, mesmo. Uso de um palavrão para reforçar a incapacidade adquirida para conseguir fazer com sucesso algo tão simpels como pôr um quadro na parede, que não caia passada meia-hora. Algo tão simples como conseguir ter um fim-de-semana que corre como o planeado, uma reunião, até uma simples massagem. Tudo à minha volta se está a evadir. Foge-me a capacidade de controlar. São nãos, atrás de nãos. A viagem que não tinha pessoas suficientes para se poder realizar e que não fiz, o emprego que esteve para ser meu duas vezes e acabou por nunca o ser, o concerto que era para ter sido durante meses e na última não foi, os amigos que iam e não vieram, a equipa que ansiosamente esperava e que não aconteceu, a relação que não vai para lado nenhum a não ser transportar-se.
E eu estou numa paragem, parada, a olhar para a tabela das partidas, pronta a apanhar o primeiro comboio parab ir, mas nenhum pára.

Trés Jolie

16.7.09

Crónica [por Miguel Sousa Tavares]


Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém.

15.7.09

Não me digam que vai ser difícil

Deixem-me pelo menos sonhar um bocadinho!

14.7.09

FAB



[the song and the music]
FAB.U.LOU.S

Arte ao jantar



















[escrito num restaurante japonês da nossa cidade. i'm spreading the word. i'm leaving messages everywhere. one of this days I'm arrested. for that... or worst]

10.7.09

Já não sei o que é que estou a fazer


Tenho a apresentação de uma campanha (a concurso) em mãos e perdi a capacidade de escrever português perceptível e de raciocinar, quanto mais desenvolver argumentos altamente credíveis.

Com uma semana que já teve 80 horas de trabalho consegui o feito espectacular de escrever 3 linhas em 2 horas.

[qualquer dactilógrafa me invejaria]

9.7.09

E agora?

O que é que se faz, quando se percebe que todas as nossas opções de vida foram as erradas?

Sabiam que é possível já estar morto, mas continuar vivo?

6.7.09


One´s not half two.

It's two are halves of one.


[ee. Cummings]

3.7.09

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


[sr. Camões.]
[e neste momento da minha vida, este poema parece-me muito oportuno]

2.7.09

Não vale a pena insistir em coisas que não têm de ser

nem em pessoas que não querem saber.

1.7.09

E o telefone que não toca, e o e-mail que se quer que não chega...

e eu que pelos vistos sou facilmente descartável.

Os e-mails que eu recebo

Welcome to your July forecast, your guide for the significant movements of the planets this month.

An exciting astrological month begins with zany Uranus turning retrograde on July 1. When eccentric, independent Uranus turns retrograde, it's best to expect the unexpected. This planet symbolizes the need for change, and emphasizes the importance of flexibility in every aspect of your life.

On July 3, Mercury enters Cancer. For best results, put your logical mind in hibernation for now and speak from your heart. When Venus enters relationship-oriented Gemini on July 5, your desire for new experiences is strong. If you are single, this is a great transit for meeting a new love. In a relationship? Spice up you love life by doing something totally different from your ordinary routine.

A dramatic full Moon lunar eclipse occurs on July 7 and it's time to refocus your attention on your career and worldly concerns. Optimistic Jupiter and spiritual Neptune come together in a conjunction on July 10, and your idealism may open up brand new worlds. Then active Mars enters verbal Gemini on July 11, and everybody will be selling their ideas, projects and plans.

You will be assessing your most important relationships when Venus squares serious Saturn on July 21. And you feel extra protective of loved ones with the solar eclipse in emotional Cancer occurring the same day. The Sun enters limelight-loving Leo on July 22, and boldness replaces sensitivity. By July 26 when Venus trines Jupiter, you'll be more than ready to go out and play! As the month comes to an end, pay attention to your dreams and let them guide you as Mercury opposes the Jupiter-Neptune conjunction on July 30 and 31. Your imagination is in full bloom! Love planet Venus enters homebody Cancer on the 31st, encouraging you to hang out at home and give your mind a rest.

[e é isto]

26.6.09

Ultimamente mais cheia de nada

do que de outra coisa qualquer.

25.6.09

Pode entrar Madame




[Estou fã destes senhores: Madame Godard, portugueses de Viana]
[e de facto o amor é póker e a vida é um polvo com espinhas]

O amor

é um polvo
com
espinhas

Partida. Largada. Fugida.


Sabem quando nos esforçamos numa corrida, fazemos todos os quilómetros, e estamos quase quase a chegar à meta, de rastos, mas chegamos e atravessamos em primeiro. E depois, na altura de receber a taça, vemos sempre outra pessoa a receber a taça por nós, a ser levada em braços e a receber os aplausos. Sempre, constantemente.


A mesma pessoa a não fazer nada e à última hora chega lá e conquista o mesmo que eu, mas sem o esforço e o empenho. É assim... uma coisa que acontece naturalmente.

[e não. não estou a falar de trabalho. o que pode parecer ainda mais estranho.]

24.6.09

Perdi-me

Ainda há poucos dias estávamos em 2007, pelo menos da última vez que vi.... e agora... já 2009.
Mas onde é que eu andei este tempo todo?!

22.6.09

IN_Culto


Um dia tive um blog chamado Inculto, mas que se escrevia como está no título. Já lá vai tanto tempo que já nem me lembro quando foi. Lembro-me que ainda trabalhava na sala do aquário, ( aquário esse que já nao existe) numa sala, de uma casa, que já não existem, com dois colegas meus, dos quais só um subsiste ao infortúnio de não conseguir mudar, tal como eu. Era um blog chamado inculto onde eu assinava com o meu nome e apelido verdadeiros e onde escrevia sem medos, pois ainda a blogoesfera era uma menina pequena. Tão pequena que ainda todos os nome estavam disponíveis e eu pude ter o nome do meu blog tal e qual como queria. Na altura que tinha esse blog chegaram mesmo a propor-me que escrevesse um livro, mas eu achava um disparate, pois não tinha nada de interessante para contar. E um dia, quem me visitava tão solicitamente, abriu uma editora exactamente com o mesmo nome que o meu blog (e escrito da mesma forma também). Na altura não liguei, achei de mau gosto, mas enfim... as palavras do dicionário eram livres.

Mas um dia, sem querer, apaguei o meu blog e assim apaguei o meu nome e apelidos verdadeiros e toda a liberdade de dizer quem sou, onde trabalho, onde vivo, com quem me dou, e principalmente, apaguei a forma como me dou.

Video killed the radio star, and advertising is killing me

Eu sempre disse:

















E agora, não só posso exibir esta frase, como mais uma dezena delas, disponíveis em t-shirts pró menino e prá menina aqui. Brilhantes pérolas do linguajar português, que o grande Cálssio postou no seu blog e que eu aqui repito. Valeu!!

FIM


O pior da história da vida
é que mal a começamos
já sabemos como acaba.

19.6.09

Duas mulheres a conversar via e-mail


T
(eu): Ok. Eu vou ginasticar até às 8h, depois banho e tal e vestir o meu macacão-novo-que-não-devia-porque-estou-falida-mas-estava-mais-triste-do-que-falida-e-teve-mesmo-de-ser-que-já-estou-muito-mais-alegre e depois telefono para saber onde estão.

R(amiga): Bále guapa. Aguardo seu telefonema com meu-vestido-verde-lindo-e-sandálias-comprados-com-toda-a-alegria-e-estupidez-feminina-de-quem-tem-quilos-de-roupa-mas-mesmo-assim-não-resiste...

[risos. muitos.muitos. gargalhadas mesmo estridentes. por isto é que nós precisamos de comprar roupa.]

OBJECTIVOS PROCURAM-SE

Aceitam-se inscrições na caixa de comentários.

Dance Dance Tonight Tonight This This Sound Sound



[me like a lot]

Esta noite
partilhei a cama
com a Insónia.

18.6.09

Papéis

Já tive de ser a força. Já tive de ser o apoio. Já tive de ser a perseverança, o pragmatismo. Já mudei de sujeito várias vezes. Já fui a esperança e a expectativa, a solução e a razão. Já fui muitas coisas quando foi preciso ser. E eu vou sendo um pouco nestas coisas todas. Agora tenho de ser a calma, mas só consigo ser a tristeza.

Caso de dependência



[Whomadewho - Keep me in my plane]

17.6.09

As palavras que sempre odiarei [1]


Há palavras que, embora façam parte do nosso Dicionário da Língua Portuguesa, e mesmo assim devem ter pago para lá poderem estar, deviam servir só de efeite decorativo e não para uso colectivo. Porque há palavras, que não sendo feias na sua escrita, o são no significado ou na fonética. Uma dessas palavras, a causadora deste post, e uma das que está no top cinco das que mais odeio é: requinte, cujo significado segundo o priberam é:
1. Apuro, perfeição meticulosa e exagerada. 2. Quinta-essência; o mais alto grau; exagero.

Ora, pois nem no seu significado esta palavra se safa. Porque, convenhamos, exageros e perfeições meticulosas é coisa de gente desequilibrada ou obsessiva (ahahah). E depois por muito bom que até possa ser o seu significado, empregue numa frase bem construída, requinte é uma palavra que soa tão brega, tão wanna be, que só me dá vómitos. Mais ainda quando vem um briefing de um cliente, a pedir uma "coisa com mais requinte", é nessa altura que me apetece puxar do xaile nazareno, calçar umas chanatas e esfregar-lhes a cara numa cesta com restos de sardinha, para ver se perdem a mania dos "requintes".