5.4.07

Peguei em ti


Fui ter contigo a tua casa. Fui todas as vezes que me pediste e foram muitas. Abria a porta principal para entrar na escuridão em que estavam sempre as paredes. Nenhuma janela aberta.
Nenhum cortinado afastado. Apenas o negro e o tabaco.

Pegava em ti e levava-te para o quarto. Queria fazer amor contigo. Queria tanto que nem sabia.
Antes mesmo de começar já tínhamos parado. Ela já te tinha dado todo o prazer que precisavas
e como habitual sugou-te todo. Chupou-te até ao fim, até aos restos, para que nem isso ficasse para mim. Peguei em ti e levei-te para a cama, sem ter ido. Escolheste a mais pura e branca companhia que podias ter.

Discutimos. Não. Discuti sozinha, porque já não querias saber. Desci as escadas embalada na promessa que nunca mais voltava.
Entrei em tua casa porque não me pediste. Fechei a porta à chave. Quatro voltas.
Afastei todos os cortinados e abri todas as janelas. Queria cobrir a casa de luz e ar.
Deixei que o fumo saísse e o pó acabasse. Fiquei a ver-te tremer de suor e a odiar-me.
Quando paraste, peguei em ti e levei-te para a vida.

Inspirado e dedicado à Sofia Rijo

2 comentários:

Anónimo disse...

Aposto que está aqui uma pista neste texto.

Ricardo Vercesi disse...

Não pude conter uma lágrima ao ler este texto. Tristes realidades que se cruzam demasiadas vezes com a nossa existência. E ainda assim, cobriste a casa de luz e o texto de um amor incondicional que aplaudo. Não o tive quando precisei dele. Parabéns.