10.1.11


T. é uma pessoa que precisa muito 
de ir ali alinhar o chi, o ki, os chakras, a direcção 
ou o que houver para aqui desalinhado.


[o braço direito também]


Depois de muito pesquisar


Finalmente descobri as minhas fobias. Ao que parece só tenho duas: balões e pessoas.
Adoro fotografias e imagens com balões, simplesmente adoro. Fascinam-me. Mas quando estão ao pé de mim tenho um medo terrível que rebentem à minha frente. Não é pelo barulho, ou pelo susto é por saber que pode acontecer, mas não saber quando.


[E o mesmo se aplica às pessoas.]

Dos factos


Sou gulosa, consumista, iro com facilidade, sou muito orgulhosa e de quando em vez, muito de quando em vez, admito que sou invejosa. Mas o pior mesmo é a preguiça. Eu pensava que era o mau-feitio mas não.
O pior mesmo é a preguiça, porque só me prejudica a mim, e muito. E a preguiça no sentido físico eu já conhecia e admitia, mas agora foi-me apresentada uma nova versão da minha preguiça. A emocional. E não é que têm razão?!?

Eu basicamente não evoluo, por culpa da minha preguiça. Física, emocional e intelectual. E é uma chatice isto, porque para deixar a preguiça já instalada, é preciso não ser preguiçosa.



6.1.11

Se eu fosse um amontoado de objectos, seria isto, ou, como os nossos gostos e objectos nos definem:




Primeira frase espectacular do ano:


"andava à minha procura e afinal estava lá fora."

[01.01.2011]

Este ano vou surpreender muita gente.
Mas principalmente vou surpreender-me
a mim.

Where are we jumpin' and undressin' tonight?

5.1.11

Não estou para isto.

Há coisas que me dão raiva e gente sonsa e com sorte são duas delas. Gente sonsa, daquelas betaas de igreja que se escondem atrás de uma vozinha de quem não parte um prato e depois vai-se a ver e são pequenos leões prontos a afiar as garras e a fazer impôr a sua vontade a quem menos se espear. Dessas sonsas. Que parecem parvas, mas são suficientemente inteligentes para jogarem com isso e com a crença dos outros.

Por outro lado mete-me nervos as pessoas com sorte. Aquelas pessoas que nunca fazem planos, que vão ao sabor do vento, que se atiram sem reflectir para situações, e que nunca se lixam. Tudo lhes corre bem. Tudo lhes acontece. Estes metem-me mesmo raiva. Porque apesar de todos os defeitos, de serem egoísta e oportunistas, e não terem nenhum problema em mostrá-lo, são adorados por toda a gente. Têm dezenas de amigos que fariam tudo por eles, que os estimam, que os procuram, que têm saudades deles, que lhes dão força e se preocupam. Gente de valor. Gente que vale a pena ter como amigos. Não só aqueles que servem para as conversas banais e nos entupirem das merdas deles. E é isto que me dá raiva.




[e também me irritam os capricórnios e os sagitários. pronto. já disse]




a menina está a 
crescer

12.12.10

Custa-me





 
Custa-me. Cada esquina de rua que vejo ocupada. Custa-me tanta comoção aqui contida. Custa-me cada viela a escorrer. Sem lágrimas de dor e de sangue. Custa-me ver. Custa-me não fazer nada. Custa-me cada vez que me estendem a mão. Custa-me ver a indiferença alheia, de mãos nos bolsos, camisola Burberys, a dois passos sem conseguir estender um tostão na outra direcção. Custa-me o crescente desamparo que parece crescer na medida que crescem as esquinas habitadas. Cada vez vejo mais  pessoas a passar cheias de desapego, de desemoção, de deixa-me em paz. Custa-me os prefixos que arrastamos pelos outros. Não fico aqui a ver isto. Não. Custa-me. E ter esta comoção faz de mim mais um sentado, num beco escuro, a mirar a desilusão.

Fade away
Blotto daylight
Latency

Holding on
Got potential
Wait and see

Irritation
Expectation

Bridge to break
Still time to make it
Rile me up
And you make me wait
Bridge to break
Still time to make,
Got time to make it

Cold love,
You loosen my alignments,
Oh I
Lie when I say I won’t go down

Can’t get enough
Of your commotion
Oh I
Measure my length along the ground
The ground
The ground
The ground

Cool, quiet provocateur
Killing time,
Stirring it up

Hooligan
Quite inciting
Skin you’re in

But you
But you
But you
Can’t nick the nick
Can’t nick the nick

You rile me up
And you make me wait
Rile me up
And you make me wait
Wait, wait, wait, wait.
Got time to make it

Cold love,
You loosen my alignments,
Oh I
Lie when I say I won’t go down

Can’t get
Enough of your commotion
Oh I
Measure my length along the ground
The ground
The ground.

She wants it strange in love
She goes, uptight on her head
And comes down hard again
She goes, uptight on her head
And comes down hard again
Hard again.
She wants it strange in love
She goes, uptight on her head
And comes down hard again
She goes, uptight on her head
And comes down hard again
Hard again,

Cold love,
You loosen my alignments,
Oh I
Lie when I say I won’t go down

Can’t get enough
Of your commotion
Oh I
Measure my length along the ground
The ground
The ground
The ground

10.12.10

8.12.10

Cela 211 é do caraças!!



Filme fabuloso! Um pouco duro, mas muito muito bom!
Grande argumento, grandes actores.

7.12.10

Eu não sou muito dada a listas de Natal, nem a pedir coisas...

... mas depois de trabalhar 27 horas seguidas, ter tido uma apresentação, que o cliente elogiou diversas vezes, de um mega projecto importantíssimo para a empresa, na qual estou há apenas 2 meses e sem receber ordenado, isto tudo com febre e dores tremendas de garganta, acho que mereço toda a Vila Rodeo e a 5th Avenue!!




!

6.12.10

Vamos lá a ver se conseguimos ser 100 antes do fim-do-ano, está bem?

[se lerem isto com a cadência certa, vão perceber que rima. Sou uma pessoa muito dada à estética fonética, que fazer...]

Porque nem tudo se pode dizer no facebook II:


Se eu mandasse alguma coisa, sabem como é que eu resolvia a crise? Aumentava os ordenados das mulheres do país todo. E porquê? Mulheres com mais dinheiro, mais consumo, logo mais felicidade e mais circulação de moeda, menos zangas, menos divórcios, mais romantismo, mais consumo, menos zangas, mais felicidade, mais romantismo, logo mais crianças... Conclusão: mais progressão para o país.

3.12.10

Porque nem tudo se pode dizer no facebook:

"Podes tirar a pessoa da aldeia, mas não tiras a aldeia da pessoa."

"Incomodam-me os fantasmas do facebook, e são mais que muitos."

26.11.10

Quem paracuca assim não é de vista curta:

"(...) Depois é esta treta do orçamento de estado. Ora vamos lá a ver, eu, burra que nem um calhau com olhos, entendo menos do que zero de macro economia. Não sei, nem quero saber, como é que se governa um país. Agora não aceito a culpa que me querem emprestar. Ah e tal temos todos que fazer um sacrifício porque há meia dúzia de anormais que esgotaram a receita. Vamos lá viver todos um bocado pior porque estes gajos têm às costas um milhão e cem mil derrapagens orçamentais mais uma má gestão de trinta anos de governação centrista. Ai que agora vou eu pagar o caracinhas dos submarinos que serviram para enriquecer não sei quem que vai continuar em liberdade. Ora ide todos à merda. A culpa não é minha. Não quero pagar. Recuso esse ónus. Tenho outros no currículo e na consciência mas desse juro que sou inocente. Quero pagar sim mas se os culpados forem presos. É esta a minha condição.
Posto isto, resta-me ir ali ao lado bater com a cabeça na parede."
 
 
[texto da autoria de Paracuca]

19.11.10

Se os ses não fossem daqui.


Se eu fosse de outro país, de outra cidade, de outra origem, seria tanta coisa. Se eu fosse, seria outra. Se nascesse noutro ambiente, com outros pais seria quem, como e porquê? Estaria aqui porque este era mesmo o meu caminho, ou no outro lado do mundo a fazer o que a outra metade da minha alma me pede para fazer. Não pode ser. Não pode ser só isto. Isto é pouco demais para ser só isto. Desepero na esperança de ver que não pode, que vai acontecer uma vida fabulosa pela minha frente. Daquelas vidas que fazem história, que marcam os outros, uma geração. Não sei que talentos ainda escondo, que coisas posso revelar os outros, mas urge a descoberta, a fusão do eu que nasceu aqui  com o eu que se sente puxado pela outra cidade, pelo outro espaço, que sabe que poderia ter sido muito mais se lhe tivessem dado ao menos essa oportunidade para ser. Ao nascer.

14.11.10

Coisas pirosinhas e queridinhas, mas que eu gosto, nem sei porquê





[gettyimages®]

As minhas pessoas


As minhas pessoas são poucas e no entanto são tantas. As minhas pessoas por vezes estão loucas, tontas, tristes e noutras estão calmas, certas, justas e sanas. As minhas pessoas são diversas, são por vezes a minha razão, a minha orientação, a minha outra perspectiva, o meu auto-conhecimento, o meu espelho. São o meu colo, o meu ouvido, o meu coração. As minhas pessoas são tudo, porque conseguem ser tantas, sendo tão poucas. Porque não são minhas, sendo, porque não sou delas, querendo ser.  São pessoas como eu, que choram também, e anseiam e entristecem-se. Que têm falhas e erram e gritam e dizem palavrões. Que desesperam, que se perdem, que não se esquecem. Que magoam, que custam, que doem, mas que perdoam, que pagam e que curam. 
Essas são as minhas, as que escolhi, ou não. As que tenho e que quero manter. Cada uma tem um nome, uma cara e um lugar. Um lugar onde pouca gente consegue entrar, mas onde estas pessoas, mais do que conseguirem entrar conseguiram ficar.


[às amigas]

11.11.10

Do trabalho



Estou no processo de digestão da minha não viagem a Londres. Uma viagem que demorei a decidir fazer, que quando decidi comprei bilhete com um tempo de dois meses ainda de espera, mas que ansiei a cada dia que passou. E foram passando e aproximando e eu sem saber se sempre ia ou não. Estou profundamente arrependida e a tentar lidar com a minha decisão de ter cancelado uma viagem que tanto desejava, que tanto precisava, por causa de trabalho. Para já não falar do dinheiro que perdi. E isto leva-me a pensar em todo os jantares que faltei, às saídas de amigas que não consegui ir, aos cinemas desmarcados, aos cafés no Chiado eternamente adiados, aos concertos falhados, às férias adiadas, aos fins-de-semana estragados. Isto leva-me a pensar na quantidade de vida que deixei por viver para estar a trabalhar, para garantir o meu, sim, mas para dar a outros a enriquecer, com pedaços da minha vida a perder. E para quê? Para ter sido irrelevante no momento de libertar peso no barco, ser a primeira a ir borda fora. Para quê? Para não ter tido nenhum tipo de consideração. E como a vida me ensina, e ensina bem, as histórias tendem a repetir-se, a não ser que nós façamos alguma coisa de diferente. E eu aprendi que não vivo para trabalhar, mas trabalho para viver e é essa a minha prioridade. Por isso vou dar a volta à minha vida, se ainda quiser ter alguma. Ah, e o nariz tende a crescer com a idade. Quanto mais depressa vivermos mais depressa ele vai começar a ficar maior.

5.11.10



Abandonei  este blog às moscas. Sem explicação prévia, ou posterior, desliguei-o. Já nem a minha barra de internet o reconhece quando começo a escrever "ch". Tudo se deve a uma mudança de dever. E depois também de vontade de escrever, e ainda penso eu que escrevo (...) ou que virei a escrever um livro ou assim qualquer coisa. Quanto muito um punhado de folhas amchucadas que alguém encontrará espalhadas pelo chão de um escritório já inutilizado, que concentra o cheiro misto de alimento e cigarro. A escrita de antigamente já não volta, a pessoa que a escrevia já não volta. Já não tem os mesmos gostos nem vontades. Já não sabe muita coisa e ficou a saber outras tantas. E no meio das coisas que já não sabe, acha que já não sabe escrever.

3.11.10

Da espera


‎"É a altura de escrever sobre a espera. A espera tem unhas de fome, bico calado, pernas para que as quer. Senta-se de frente e de lado em qualquer assento. Descai com o sono a cabeça de animal exótico enquanto os olhos se fixam sobre a ponta do meu pé e principiam um movimento de rotação em volta de mim em volta de mim, de ti " (...)

 

[Luiza Neto Jorge]